LIVRE: EXEMPLOS EM ABERTO. LEIA PARA VER DE QUE TRATA O SERVIÇO

      ANÁLISES SEMANAIS ACRESCENTADAS

      (quatro mil palavras)


      24-12-1998. Análise EXTRA ACRESCENTADA da semana ALONGADA de 14 a 23 de Dezembro de 1998 do Serviço Analítico-informativo da REDE BASCA VERMELHA

      A "JUSTIÇA" ESPANHOLA É UMHA ARMA DE GUERRA: ESPANHA INDULTA OS SEUS TERRORISTAS DE ESTADO, OS CHEFES DO GAL. ETA DENUNCIA O FALSÁRIO AZNAR. JÁ ESTÁ PACTADO O GOVERNO ABERTZALE. ETA, que mantém o cessar-fogo, denuncia as falscificaçons do Governo espanhol no comunicado da Segunda-feira 21. Clinton, o genocida, é Pinochet e Aznar é o seu ajudante e o seu lacaio. Que continua a violar a legalidade espanhola usando como reféns os prisioneiros políticos bascos. Mais horror, mais torturas espanholas. O fascista Ansuátegui. LIZARRA-GARAZI polo euskara. ARGALA e Sarasketa.


      (AVISO PRÉVIO. Os acontecimentos previstos, e realizados, para a Segunda-feira 21, Terça 22 e Quarta 23 -publicaçom do comunicado de ETA, acordo para o Governo abertzale e iníquo indulto para os chefes do GAL- aconselhárom alongar a semana a que se refere esta Análise e o texto até quase oito mil palavras)


      A "Justiça" espanhola é umha arma de guerra: Espanha indulta os seus terroristas de Estado, os chefes do GAL.
      Nada expica e revela melhor a miserável catadura de Espanha, a sua configuraçom como República "bananera" e a desgraça do seu Estado coxo travesso e insuficiente. Refiro-me à grotesca maneira em que a sua "Justiça" se desacredita a si própria e às imensas récuas de bois de duas patas e aparência humana que povoam as páramos de Espanha e aturam e respeitam os seus pulos bufonescos.

      UM INDULTO INJUSTO, PRECIPITADO E DISCRIMINATÓRIO intitula-se o editorial com que EL MUNDO comenta hoje Quinta-feira 24 de Dezembro de 1998 o indulto aos chefes do GAL Barrionuevo e Vera e a sua matilha de saions. O ESTADO LIBERTA OS CHEFES DO GAL intitula na capa EUSKADI INFORMACIÓN. Enquanto a capa de DEIA clama O GOVERNO AZNAR INDULTA O TERRORISMO DE ESTADO e o seu editorial intitula-se ESPANHA PERSONA OS SEUS PRESOS.

      Tempo há de haver (na análise mensal) para esmiuçar os grotescos pormenores desta iníqua actuaçom. Como por exemplo a troça manifesta de que o Governo realizasse em 20 horas todos os trámites do expediente de indulto COMO POR EXEMPLO A EVIDÊNCIA DE QUE NOM LÊROM NEM OS SEUS MEMBROS NEM OS SEUS ASSESSORES AS 3.500 FOLHAS DO RELATÓRIO: 20 horas som 1.200 minutos que equivalem a 72.000 segundos. Quem é o RAPIDÍSSIMO LEITOR que leu 3.500 folhas ininterrompidamente durante 20 horas a menos de 20 segundos por folha e tomando notas para fazer um bom resumo e umha recomendaçom justificada?

      Nom terá a decência de demitir-se a Ministra de Justiça que há uns dias lembrava que há expedientes de indulto pendentes de exame e decisom desde há oito meses e que trataria os de Vera e Barrionuevo como os de outro qualquer?

      É bem conhecida a anedota do Presidente dos Estados Unidos a quem se explicou que o ditador Somoza cometia barbaridades em Nicarágua. Contestou que "Sim, Somoza é um filho da puta. Mas é O NOSSO filho da puta". A "Justiça" e o Governo de Espanha reconhecêrom que Vera e Barrionuevo, os chefes do GAL, os condenados po seqüestro e malversaçom de fundos e processados por torturas e assassinatos, SOM TERRORISTAS DE ESTADO.

      Mas logo a seguir afirmárom que som OS SEUS terroristas. O terroristas de Estado da Espanha, os que torturam e assassinam e roubam por Espanha, em nome da Espanha, em defesa da Espanha. E por isso é que os deixam sair, convictos mas impunes, à rua.

      O sindicato LAB tem vincado que:

      "o indulto para dous delinqüentes condenados pola sua participaçom no seqüestro de um cidadao basco e pendentes de outros juízos por assassinato resultam umha burla cruel para os bascos em geral, mas muito especialmetne para as vítimas do terrorismo de Estado e as suas famílias".

      LAB denunciou também que:

      "é claro que os assassínios, seqüestros, torturas e demais actuaçons realizadas em nome do Estado saem grátis e gozam do placet de quem noutros casos racham as vestes e clamam por umha justiça claramente deitada para os interesses do Estadom mas surda e cega à hora de defender os bascos face aos excessos do Estado espanhol".

      Herri Batasuna qualificou de "vergonhenta e inaceitável" a decisom do indulto e lembrou que:

      "enquanto a direcçom inteira de um partido político legal permanece na cadeia por difundir um vídeo que continha umha proposta de paz e centos de presos políticos bascos continuam no cárcere em contra do que a própria legalidade do Estado dita, os acusados do seqüestro de um cidadao e os primeiros encausados por um caso guerra suja saem à rua aos três meses de terem ingressado em prisom".

      "Aberraçom democrática" e "violaçom flagrante do artigo 14 da Constituiçom que estabelece a igualdade de todos os cidadaos perante a lei para além da sua condiçom pessoal e social" tem dito o coordenador de IU-EB.

      "Umha imensa trapalhada própria de um Estado nom cabalmente democrático" sentenciou Anasagasti, porta-voz do PNB no espanhol Congresso dos Deputados.

      "É um escándalo, um agravo comparativo a respeito dos membros da antiga Mesa Nacional (de HB) encarcerados por delitos mais leves" dixo a senadora de EA Inmaculada Boneta.

      A "Justiça" como arma de guerra. Suja. Afirmo eu.

      E as cousas nom ficárom por aí. Amedo ameaçou os chefes do GAL, Barrionuevo e Vera. Dixo que depois das festas do Natal irá a um Julgado de Guarda e fará que Barrionuevo e Vera tornem para a cadeia. Amedo é o ex polícia que foi peça chave executiva dos GAL e cujos silêncios e declaraçons marcárom a peripécia judiciária do caso. É verosímil que guardasse "ases" na manga. "Ases" que podam demonstrar a culpabilidade de Barrionuevo e Vera (quiçá a do X do GAL, Felipe González?).

      Veremos.

      Por falta de espaço tenho de reenviar ao mensal de Dezembro umha ampla gama de informaçons que demonstram a corrupçom dos partidos políticos na Espanha (E na Uniom Europeia, que temos notícias de outro chefe de Governo gatuno "socialista": o belga).


      ETA denuncia o falsário Aznar
      O Presidente do Governo da Espanha é um falsário. A denúncia tivo que fazê-la ETA.

      Segunda-feira 21 de Dezembro de 1998: ETA remete um comunicado, datado em 20 de Dezembro de 1998, a EUSKADI INFORMACIÓN (o jornal que substitui a EGIN iniquamente fechado polo juiz Garzón), ao único jornal integramente publicado em euskara EUSKALDUNON EGUNKARIA e à emissora pública RADIO EUSKADI. ETA informa que mantém o cessar-fogo. E de muitas outras cousas.

      Terça-feira 22. A capa de EUSKADI INFORMACIÓN di assim:

      "NOM HÁ CONTACTO COM O GOVERNO"

      • ETA denuncia as manobras para aparentar um inexistente processo negociador e simular que o Governo do PP o impulsiona.

      • Lembra que "o que Espanha deve pactar e acordar com Euskadi Ta Askatasuna é o reconhecimento de Euskal Herria".

      • Responde às tentativas de "criar confusom" e promete à sociedade basca que o processo se há de realizar com transparência.

      • ETA respondeu às filtraçons e boatos sobre um hipotético processo negociador para revelar que o Governo espanhol nom mantivo qualquer "contacto directo" com a organizaçom. Em sua opiniom, as notícias ao respeito constituem umha clara manobra para "tentar desviar o processo que está a ser trilhado em Euskal Herria". Neste senso, Euskadi Ta Askatasuna deixa claro que agirá com total transparência para que a sociedade basca poda fazer um seguimento do processo à margem de tentativas de intoxicaçom. Além disso, recorda ao Estado espanhol que "o que deve pactar e acordar com ETA é o reconhecimento de Euskal Herria, a sua territorialidade e o direito a eleger livremente o seu futuro. Nem mais nem menos".

      Essa é a capa. A página 3 reproduz o comunicado que ETA enviou, todo ele em euskara. Que, por certo, torna (COMO SEMPRE) a iniciar-se com a autodefiniçom: ETA, Organizaçom Revolucionária Socialista Basca de Libertaçom Nacional.

      Na página 2 EUSKADI INFORMACIÓN, sob o cabeçalho a toda página que di "ETA NEGA CONTACTOS COM O GOVERNO", transcreve em espanhol fragmentos do comunicado.

      (NOTA: Reproduzirei cá em galego-português largos fragmentos do comunicado. O que é possível porque na Terça-feira 22, à noite, já se enviara aos nossos assinantes e correspondentes o texto do comunicado traduzido do euskara para o espanhol por um dos membros da REDE BASCA VERMELHA. RECOMENDO COMO SEMPRE LER O TEXTO INTEGRAL DO COMUNICADO DE ETA.

      QUE NOM TEM REFUGO. Está colocado já na web da REDE BASCA VERMELHA nas páginas dedicadas ao cessar-fogo de ETA.)

      ETA assinala ao começar o comunicado que "decorridos três meses desde que proclamou a interrupçom geral e indefinida das suas acçons, quer fazer chegar à sociedade basca por meio deste comunicado a sua opiniom à volta da situaçom que atravessa Euskal Herria".

      E começa por vincar que "Euskal Herria vive umha conjuntura esperançadora, desconhecida na sua história mais recente". Afirmaçom que se detalha e alarga num parágrafo rotundo que di:

      "Em Euskal Herria sopram ventos novos, e a bússola indica a direcçom da soberania. Pujo-se em andamento umha ampla colaboraçom das vilas e cidadaos que tem sentado as bases de colaboraçom de umha nova era, cheia de oportunidades para o desenvolvimento que pode levar-nos para a soberania completa. Prevaleceu a vontade de que o povo basco, unido e com os mesmos direitos e obrigas que tenhem todos os povos, entre no caminho na história, cicatrizando a divisom e as feridas de tantos anos. A esperança fai-se sentir, mas serám a força e a dedicaçom para materializar essa esperança que determinem a veracidade dessa nova era".

      Mas logo a seguir ETA denuncia as revesgadas falsidades dos inimigos de Euskal Herria.


      ETA denuncia a falsificaçom da realidade tentada polo Governo espanhol e os meios de comunicaçom espanhóis
      "Espanha e França tenhem-se dado conta de que o processo empreendido por Euskal Herria tem como objectivo a soberania, e como meio a vontade e o esforço dos bascos. Infelizmente, teimam em manterem a mesma atitude que mostrárom ao longo de umha história ensangrentada, semeando a semente de novos sofrimentos. Em lugar de dar umha resposta sensata ao problema de Espanha e França, em vez de ocupar-se da sua entranha política, andam fugindo com mentiras e falsidades. Julgando que o processo que se vive em Euskal Herria se deterá olhando para Espanha, e que os cidadaos basco ficaremos atentos e à espera, a ver o que fai Madrid e como o fai A SEDE DE SOLUÇOM NOM SE HÁ DE SACIAR NA FONTE DE MADRID. Como dixemos antes, os meios de comunicaçom pretendem raivosamente condicionar e empecer o processo mediante provocaçons e intoxicaçons. E durante o último mês tentárom incessantemente desviar o processo que se trilha em Euskal Herria, ao fio das declaraçons, mensagens e falsas negociaçons provenientes de Madrid, imaginando um suposto processo de negociaçons que Espanha dirige da sombra e que a Espanha nos quer levar, e mais ainda, apresentando publicamente o Governo espanhol como impulsionador desse processo.

      Mas a realidade é muito diferente. Porque nom há tais conversas nem processo. A imagem que se quer mostrar de negociaçons secretas ou clandestinas é falsa. Ao menos até agora, nom tem havido contacto directo entre ETA e o Governo espanhol, embora Euskadi Ta Askatasuna se tenha mostrado pronta, desde há muito, a principiar essas conversas.

      De outra parte, ETA tem deixado claro de há muito tempo que NOM PRETENDE SUBSTITUIR A VONTADE DO POVO BASCO. Polo contrário, o objectivo e quefazer de Euskadi Ta Askatasuna CONSISTE EM CRIAR AS CONDIÇONS PARA QUE EUSKAL HERRIA PODA EXPRIMIR A SUA VONTADE LIVRE E DEMOCRATICAMENTE, sem aceitar em absoluto quaisquer ofertas de pseudonegociaçom cujo objectivo for esquivar essa vontade" (As maiúsculas som minhas, o comunicado insiste a seguir em que este facto é notório também para o Governo espanhol).

      "O Governo espanhol conhece melhor do que ninguém essa atitude nossa. Como conhece igualmente, porque para isso conta com vias e testemunhas oficiais, que O QUE CUMPRE DISCUTIR E ACORDAR ENTRE ESPANHA E EUSKADI TA ASKATASUNA É O RECONHECIMENTO DE EUSKAL HERRIA, A SUA TERRITIRIALIDADE E O DIREITO A ELEGER A VONTADE O SEU FUTURO. NEM MAIS NEM MENOS". (De novo as maiúsculas som minhas).

      "E deve saber, como devia já saber muito bem, que ETA nom aceitará, nem nas antigas vias para a troca de comunicaçons e contactos que inutilizárom, nem nos novos caminhos que puderem querer recompor, manobras para criarem confusom e virar as costas aos cidadaos bascos. O processo que se abriu em Euskal Herria fai-no avançar os cidadaos bascos, e para levar esse processo até a sua culminaçom, Euskadi Ta Askatasuna dará-lhes a conhecer as chaves que possibilitem a sua total aclaraçom e compreensom."

      A leitura desse último parágrafo fijo-me saltar quase um quarto de século atrás na minha vida. Na clandestinidade antifranquista, em Madrid, numha charla com miúdas e miúdos menores de dez anos (filhos e sobrinhos meus, filhos de camaradas e embriom de umha "ressurreiçom" dos pioneiros) algum perguntou-me: como é umha sociedade socialista?. IGUALITÁRIA E DIÁFANA foi a minha resposta. DIÁFANA por oposiçom à OPACIDADE característica e definitória da sociedade capitalista.

      Como recordava tantas vezes Marx, nom há que julgar um partido polo que di de si próprio, nem sequer polo que pensa de si próprio. MAS POLO QUE FAI. Ressaltei antes como ETA se autodefine ao começar no comunicado como sempre fai, como ORGANIZAÇOM SOCIALISTA REVOLUCIONÁRIA BASCA DE LIBERTAÇOM NACIONAL. Ressaltei-no face a muitos cretinos (e bastantes socialdemocratas vergonhentos e socialfascistas sectários conjurados) que reduzem a definiçom de ETA à estupidez facciosa de chamá-la "organizaçom armada".

      Pois bem, essa preocupaçom e essa promessa de ETA de dar a conhecer aos cidadaos bascos "as chaves", essa conduta diáfana e transparente demonstra que ETA é Socialista Revolucionária POLO QUE FAI E POR COMO O FAI e nom apenas porque se chame assim a si própria.


      A crua denúncia do governo espanhol que formula ETA

      O comunicado de ETA divide-se numha introduçom e quatro blocos. Os títulos dos blocos dim assim:

      • A SEDE DE SOLUÇOM NOM SE SACIARÁ NA FONTE DE MADRID

      • ACABAR DE UMHA VEZ COM A TORTURA AOS PRESOS BASCOS E DESMANTELAR MEDIANTE A LUITA A CHANTAGEM POLÍTICA

      • O PROCESSO QUE LEVA DO ACORDO DE LIZARRA-GARAZI ATÉ A AUTÊNTICA SOBERANIA É O QUE VERDADEIRAMENTE SE PUJO EM ANDAMENTO

      • O CAMINHO PARA A SOBERANIA NUM PROCESSO DEMOCRÁTICO

      Reproduzo cá o primeiro parágrafo (repetindo o título) do terceiro destes blocos.

      "O PROCESSO QUE LEVA DO ACORDO DE LIZARRA-GARAZI ATÉ A AUTÊNTICA SOBERANIA É O QUE VERDADEIRAMENTE SE PUJO EM ANDAMENTO.
      O governo espanhol teima incessantemente em difundir essa imagem falsa de negociaçons, porque nom tem vontade de chegar à raiz do conflito com sensatez e coragem. Pretende intensificar a via repressiva, ganhar tempo e confundir a sociedade basca. Mas estám muito enganados se julgam que assim vam abortar o processo aberto em Euskal Herria. Nom o conseguirám, polo menos se os partidos políticos que vivêrom e engordárom no esgotado autonomismo divisor se mantenhem leal e rigorosamente no caminho empreendido para a soberania, pondo por cima dos interesses e cálculos de partido o interesse da naçom basca".


      Os meios de comunicaçom espanhóis ressenham a denúncia de ETA mas nom a comentam nem criticam Aznar. Um recordo de Chomsky e as suas "Ilusons necessárias"
      Significativo e definitório da baixa qualidade (ou da inexistência?) da "democracia espanhola" foi o apagadíssimo eco da denúncia de ETA nos meios espanhóis.

      Para calibrarmos bem isso é imprescindível lembrarmos que esses mesmos meios DIXÉROM NO SÁBADO 19 O QUE TINHA DITO AZNAR NO 18.

      LA RAZÓN, página 9. Cabeçalho a toda página: Aznar, após manter "contactos significativos com ETA, acha que é possível antigir a paz. Começa a introduçom: "o presidente do Governo, José Maria Aznar, julga, após manter "contactos significativos com o mundo de ETA..." No primeiro parágrafo: "...e depois de terem-se produzido "contactos significativos", como reconheceu ontem o porta-voz do Executivo, Josep Piqué..."

      ABC página 21. Cabeçalho a toda página: O Governo reconhece oficialmente Ter mantido "contactos significativos" com HB e ETA. A introduçom principia dizendo: "O Governo reconheceu oficialmente ontem, pola primeira vez, ter mantido "contactos significativos" com o ambiente de ETA embora sem especificar se estes foram com ETA, com HB ou com ambas. O ministro porta-voz, Josep Piqué, que deu a conhecer este dado, manifestou que do conteúdo de ditos contactos é que se explica a declaraçom pública que realizou ontem o presidente do Governo."

      EL PAIS, na capa: "Aznar, que anunciou o envio ao Congresso de um texto legal para regular as ajudas às vítimas do terrorismo, acreditou com a sua intervençom a existência de contactos que ao Executivo permitem afirmar que o cessar-fogo "continua a manter hipóteses de se consolidar como cessamento definitivo da violência". O ministro porta-voz do Governo, Josep Piqué, foi mais explícito, e na conferência de imprensa posterior ao Conselho de Ministros dixo que a declaraçom de Aznar se produziu como conseqüência de que o Executivo já estabeleceu "contactos significativos" com o ambiente etarra. Há apenas umha semana, o mesmo porta-voz afirmou que os contactos manteidos até aquela altura nom foram significativos."

      Vamos lá ver agora o que é que di a imprensa da Terça-feira 22 depois de que ETA dixesse que "NOM HÁ CONTACTO COM O GOVERNO":

      EL MUNDO. En portada, titular principal a cuatro columnas: "ETA denuncia que el Gobierno simula una negociación que aún no existe".

      LA VANGUARDIA, como pré-cabeçalho: ETA denuncia manobras para aparentar um "inexistente" processo negociador "e simular que o Governo o impulsa".

      EL CORREO ESPAÑOL: ETA ratifica a continuidade do cessar-fogo mas nega "contactos" com o Governo.

      EL DIÁRIO DE NAVARRA, com o texto a seguir do cabeçalho na capa: "A organizaçom terrorista nega que tenha principiado as negociaçons com o Governo". Cabeçalho da informaçom no interior: "ETA assegura que nom mantivo ainda contactos directos com enviados oficiais."

      ABC, no texto que publica na capa di que ETA afirma que "até agora nom houvo qualquer contacto directo entre ETA e o Governo da Espanha".

      EL PAIS, como texto a seguir do cabeçalho: "a banda terrorista nega que tenha manteido já reunions com o Executivo do PP".

      El Periódico de Catalunya, como quarto cabeçalho: "Desmente que já se tenham produzido conversas com o Governo":

      Comentários editoriais que reprovem a Aznar pola sua falsia? Nom achei. Sempre fiel ao seu talante, o ABC inicia o seu editorial com umha grotesca, laudatória, tureferária, gratuíta e lacaia conjectura: "O bando terrorista ETA, provavelmente alarmado perante a perda de iniciativa política a maos do Governo..."

      Como os "intelectuais" espanhóis tragam como cómodas pequenas hóstias consagradas essas rodas de moinho?. Umha muito cara comunista catalá, Montse Ortiz (da Xarxa Basca Roja, es clá), tem publicado há uns dias umha excelente ressenha do livro de Noam Chomsky ILLUSIONES NECESSARIAS. Montse explica-nos como Chomsky assinala que as "médias verdades e mentiras totais (as falácias interpretativas dirigidas ao povo americano e de retruque ao resto dos povos do mundo) servem para garantir a tranqüilidade dos intelectuais que se dim LIVRES: num EDIFÍCIO de ideias pré-concebidas e preconceitos arruma-se a notícia convenientemente reelaborada. Estes intelectuais orgánicos contribuem para a remodelaçom, ao gosto do sistema, da consciência de aqueles a quem vai dirigida tal realidade virtual".

      Salvo o necessário "puxom de orelhas" a Montse por manejar sem corrigi-la a expressom "povo americano" restritivamente atribuida ao povo dos Estados Unidos, essa descriçom é válida para os intelectuais espanhóis "democratas".


      Do "ambiente etarra" ao nosso ambiente mundial. Umha olhadela necessaria para nom nos cegar por olhar só para nosso umbigo
      É lógico que o processo que actualmente vive Euskal Herria nos tenha absortos, atentos ao último pormenor e ao último matiz. No entanto, é imprescindível-ao mesmo tempo- nom deixarmos de olhar com atençom o que acontece no mundo. Porque Euskal Herria nom é umha xangada de pedra que navega isolada polo oceano e o seu futuro está entrelaçado com o do mundo.

      Por isso nom é ocioso que eu recorde aqui que no Sábado se publicavam na imprensa os dados da Organizaçom Mundial de Meterorologia (OMM) que demonstram que 1998 FOI O ANO MAIS QUENTE DA HISTÓRIA, batendo o recorde batido precisamente polo ano anterior. Em 1998, a temperatura sobre a superfície terrestre foi a mais alta registada desde 1860 (desde que se começou a medir) e ultrapassou em 0,58 graus centígrados a média do período que vai de 1961 a 1990. "Estes números som espantosos" e "Sabemos positivamente que temos alterado o clima" fôrom frases de peritos comentando os dados. A camarada Montse Ortiz lembrava na sua ressenha que o que se passa é que "o capitalismo é um sistema irracional incapaz de conhecer os seus próprios limites e de controlar os excessos". E que, por isso, "hoje fai-se mais real do que nunca a afirmaçom de Marx: "ou comunismo ou barbárie".

      A terrível crise ecológica, fruto da barbárie do Modo de Produçom Capitalista, está JÁ AÍ. À nossa volta. E é um dado que NOM PODEMOS PERMITIR A NÓS PRÓPRIOS DESPREZAR.

      Duas pinceladas mais do mundo que nos rodeia e condiciona: a semana principiou com a notícia de que o povo de Porto Rico votara NOM à anexaçom da ilha como mais outro Estado dos Estados Unidos. E a vizinha França está a padexer umha gravíssima situaçom: um rebento de INTIFADA provocada pola brutalidade policial. A autodeterminaçom dos povos e os problemas de convívio e de exploraçom na capitalista Uniom Europeia mostrárom-se destarte perante os nossos olhos.

      Embora o assunto brutalmente presente na actualidade da semana fosse a renovada selvajaria ianque contra Iraque. E a colaboraçom espanhola nela.


      Clinton es Pinochet. Y Aznar su lacayo.
      Na sexta-feira 18 Carlos Aznárez, Director de RESUMEN LATINOAMERICANO e membro da Rede Basca Vermelha, publicou na página 19 de EUSKADI INFORMACIÓN um artigo intitulado CLINTON É PINOCHET que começava assim:

      "Clinton é Pinochet. E agora o quê dirá o juiz Garzón? O quê dirám os que louvavam a democracia inglesa e Tony Blair ou aqueles "intelectuais progressistas" que há pouco mais de um mês assinavam a favor de Clinton polo seu affaire sexual com Lewinsky?

      À criminal política norte-americana nom bastava com o bloqueio total que já provocou O FALECIMENTO POR FALTA DE MEDICAMENTOS DE 700.000 CRIANÇAS IRAQUIANAS...

      Mais umha vez, bomba e metralha -com o imediato apoio anglo-espanhol-para arrassar a populaçom civil, perante o folguedo das chamadas naçons civilizadas de Ocidente"..

      E que acabava assim:

      "Assim som eles, os gendarmes do mundo, os que todos os dias nos oferecem dos meios de comunicaçom um estilo de vida em que o dissidente se torna num inimigo a abater. Nesta estratégia de barbárie nom estám sozinhos: o neofranquismo espanhol -Aznar e Matute, o de Solana e Almunia, mas também o de todos os que consentem e calam perante as suas feitorias- volta a mergulhar em sonhos imperiais e oferece-se como aliado incondicional de Estados Unidos na sua acçom anti-árabe. É a lógica da Moncloa: pontualmente com Clinton para o que ordenar, e todos os dias do ano, à caça ao magrebi imigrante no extremo sul da península. Patera ao fundo do mar e genocídio com conta-gotas. Pinochet nom está só, sobram-lhe imitadores".

      Na sexta-feira, o Diario de Navarra informava de um inquérito feito público na Quinta-feira nos informativos das 20,30 de Telecinco. Segundo o qual 70% dos espanhóis se declaravam EM CONTRA do ataque dos Estados Unidos contra o Iraque. A empresa (Sondaxe) e o canal Telecinco som pouquíssimo de fiar (lembre-se as suas grotescas falsificaçons prévias às eleiçons bascas de 25 de Outubro passado): Mas semelha claro que o lacaio entusiasmo pró-ianque de Aznar nom coincide com a opiniom dos eleitores espanhóis.

      Embora Aznar desse ao ianques um "cheque em branco" para usar contra Iraque durante três meses -14 de Novembro a 14 de Fevereiro de 1999- as bases de Rota e Morón, e até a Quinta passada já se usaram para 95 aterragens.


      Mais horror, mais torturas espanholas aos bascos. O caso do fascista Ansuategui. E Garzón.
      Em começos da semana a barbárie ianque debruçou por outros motivos na imprensa espanhola. O sacerdote católico Roy Bougeols, fundador da associaçom estado-unidense SOA Watch (School of America Watch) entregou na Terça-feira ao juiz Garzón a listagem dos 60.000 militares que passárom pola Escola das Américas desde 1949 até hoje. Que passárom por um centro sito em Panamá em que se ensinavam os métodos de tortura e desaparecimento de prisioneiros políticos aos militares das ditaduras de Centro de Sudamérica.

      Umha terrível e delatora coincidência com o facto anterior: na Quarta-feira 16 a Associaçom contra a Tortura apresentou em Madrid o relatório intitulado A TORTURA NA ESPANHA 1996-1997. Que inclui 653 casos em que se vírom implicados 758 membros das distintas polícias. DOUSCENTOS DESSES 653 TORTURADOS ERAM BASCOS. Algum dos quais denunciou Ter sido torturado ao juiz Garzón para sofrer como esse juiz "estrela" amparou os torturadores.

      Na quinta-feira 17 independentistas bascos que militárom no seu dia em KAS (Koordenadora Abertzale Sozialista) oferecêrom umha conferência de imprensa em Bilbo para valorizarem o auto judiciário emitido por Garzón em que declarava KAS como organizaçom ilícita, mantinha fechados EGIN e EGIN IRRATIA e outras empresas, além de prodessar 26 pessoas.

      Os comparecentes dixérom que esse auto e essa ilegalizaçom eram "um ataque ao movimento independentista, nomeadamente preocupante dada a facilidade e impunidade com que, ainda com a mais absoluta carência de argumentos, se realizou desde a Audiência Nacional". Dixérom que o auto era um escrito "cheinho de falsidades e de erros" em que "se confundem chaves, se desconhecem dados, se tergiversam datas e factos históricos".

      Tenho de sublinhar que, embora o relatório antes citado se intitule A TORTURA NA ESPANHA 1996-1997, a verdde é que triste, dolorosa, intoleravelmente, as torturas nom terminárom em 1997. Na Quinta-feira 17, o jovem de Iruñea Eneko Pérez DENUNCIOU TORTURAS após ficar livre sem fiança depois de Ter sido detido na Terça-feira 15.

      Umha das causas de que a tortura espanhola se continue a cevar nos corpos das bascas e os bascos é a continuaçom da presença das alimárias fascistas do franquismo nos corpos de segurança espanhóis e nos cargos que os mandam.

      Por exemplo esse brutal fascista mal reciclado que padecemos em Navarra como Delegado do Governo da Espanha. Nesta Quinta 17 pudemos ler a notícia de que:

      "O Congresso dos Deputados, na sua Comissom de Administraçons Públicas, acordou instar o Governo do PP a adoptar as medidas necessárias para esclarecer a brutal carga policial que Francisco Javier Ansuátegui ordenou no passado Maio contra umha pacífica manifestaçom de Sortzen que exigia a abertura do modelo D nos bairros de Donibane, Ermitagaña e Mendebaldea de Iruñea.

      A carga policial produziu-se nas ruas de Alde Zaharra, quando pais, maes, alunos de curta idade, professores e representantes sindicais pediam pacificamente ao Governo de UPN a escolarizaçom de 16 alunos no "modelo D", quer dizer, integramente em euskara".

      Nessa mesma quinta-feira 17 Herri Batasuna de Nafarroa lembrou publicamente que Ansuátegui ordenou em só seis meses 253 detençons que forçárom pagar mais de 30 milhons de pesetas em fianças.

      No Domingo 20, o porta-voz do PNB no espanhol Congresso dos Deputados, Anasagasti, publicava no seu semanal artigo em DEIA o que se segue:

      "ANSUATEGUI. Este anjinho é um homem da direita mais assilveirada. Por isso é que o deveu eleger Mayor Oreja como o seu Delegado em Navarra. Este homem, como na época de Franco, ordenou bater contra umha pacífica manifestaçom de Sortzen... Aquela savajaria foi criticada por todos, excepto por UPN"

      Mas é que na Segunda-feira 21 o MOC anunciou que se querelará contra Ansuátegui ou o mando policial responsável da carga que dissolveu violentamente no 21de Novembro umha manifestaçom legal contra os juízos por insubmissom nos quartéis.

      Numha informaçom intitulada "Os discutidos méritos de Javier Ansuátegui", publicada por EL MUNDO na segunda 21, lembra-se umha carta publicada polo presidente de EA em Nafarroa Koldo Amezketa em 1996 quando Ansuátegui foi de novo nomeado responsável da ordem pública na nossa terra. De novo porque Ansuátegui já foi aqui governador civil entre 1980 e 1982.

      Amezketa lembrava naquela carta o sofrido por um grupo de jovens do Baztan aos que a Audiência Nacional deixou em liberdade sem cargos após Ter sido detidos pola sua suposta vinculaçom com ETA. Amezketa nom pode esquecer as queimaduras de cigarro que umha das detidas apresentava nos seus seios.

      Eu, que fui naquela altura malhado duas vezes na rua polos esbirros de Ansuátegui e duas vezes encadeado 72 horas por eles, processado muitas e roubado (600 exemplares de um folheto) por esses esbirros, nom podo esquecer as pernas de umha estellica mostradas pola sua mae perante as dúzias de pessoas que a recebemos ao ser posta em liberdade. Pernas negras até as coxas como se levasse meias negras só que nom estavam vestidas mais do que com os hematomas provocados polos esbirros dessa má besta fascista que é Ansuátegui.

      Esta é a gentualha que Aznar coloca para que garanta os direitos dos cidadaos.

      Assim é que é, esta é a sua paz. A sua toleráncia. E a sua democracia espanhola da merda.


      Aznar continua a violar a legalidade espanhola usando como reféns os prisioneiros políticos bascos.
      Na Quinta-feira 17 TODOS os grupos parlamentares aprovárom no Parlamento Europeu o relatório do biarriztarra Pierre Pradier sobre as condiçons carcerárias na Uniom Europeia. Relatório que advoga pola aproximaçom dos privados de liberdade à morada familiar e lembra que a prisom preventiva tem de ser excepcional.

      Devém especialmente insultante saber que os eurodeputados do PP e do PSOE votárom a favor de medidas para erradicar os tratos inumanos e as torturas. A favor da necessidade de respeitar a liberdade de pensamento, de expressom e de pertença política dos presos. A favor de prestar-lhes um serviço médico e umha assistência psiquiátrica semelhantes aos que recebe qualquer cidadao. A favor dos conselhos relativos às reduçons de pena, amnistias e indultos e a favor dos dirigidos a fazer frente ao superpovoamento carcerário".

      Digo que devém insultante porque há que lembrar o genocídio lento mas sistemático a que submete aos fechados nas prisons espanholas a política penitenciária do Governo espanhol, apoiada por PSOE e PP. E apoiada pola mínima, insofrivelmente insuficiente, crítica de IU ante esta barbárie.

      A semana passada começou com o anticonstitucional e bestial ataque iniciado por EL MUNDO contra o bispo Setién aproveitando umha violaçom insultantemente "normal" da correspondência privada que lhes permitiu saber que o bispo falava em "presos políticos bascos". Continuado polo presidente do Governo da Espanha e coreado pola matilha habitual e de guarda dos "intelectuais" espanhóis. Por exemplo, o senhor Umbral que na Sexta-feira 18 publicou em EL MUNDO um ignobile cuspo intitulado "O senhor Setién".

      O terrível nom foi todo isso. Todo isso é a imundícia habitual da política espanhola. O terrível foi a injúria, a burla, a troça, a mofa deitada nessa mesma sexta 18 ao povo de Euskal Herria polo Governo da Espanha. Com a "aproximaçom" de 21 presos políticos bascos a mil quilómetros de distáncia dos seus lares.

      No dia seguinte, a página 3 de EUSKADI INFORMACION intitulava-se UNÁNIME INDIGNAÇOM ABERTZALE. Y detalhava na introduçom que: "PNB, HB e EA coincidírom ontem em mostrar a sua crítica mais rotunda à manobra do Governo espanhol de transferir 21 presos a cárceres de Andaluzia e Levante. O Euskadi Buru Batzar distanciou-se expressamente da política penitenciária e pediu calma a ETA, HB dixo que som horas de sair à rua e EA falou em mesquindade e decepçom".

      Quero sublinhar um facto altamente significativo: O DE ESSA "APROXIMAÇOM" TER SIDO PUBLICAMENTE CRITICADA POR GENTES E ÓRGAOS MUITO ADITOS A AZNAR. Por gentes cuja crítica é um sintoma de que é muito claro que AZNAR TEM ERRADO. Insisto: sendo forte, é compreensível que o coordenador de HB Permach diga que a atitude do Governo da Espanha com os presos bascos é FASCISTA, CRUEL E TORTURADORA. O que é insólito e deve ressaltar-se é que as críticas também venham precisamente de gentes aliadas ou proclives ao Governo.

      Por exemplo, já é significativo que em EL CORREO ESPAÑOL, órgao da burguesia basco-espanholista, dixesse no seu editorial do Sábado 19 que se a transferência dos 21 nom era o prelúdio

      "de toda umha série de iniciativas que tornem efectivo A RÁPIDA APROXIMAÇOM DOS PRESOS BASCOS AO SEU LUGAR DE ORIGEM..."

      "SE CONVERTERÁ NUMHA MOSTRA DE FECHAÇOM CADA DIA MAIS INCOMPREENSÍVEL".

      O editorial de EL CORREO constatava umha realidade sociológica que apenas os teimudos ignorantes do Governo de Madrid ignoram:

      "De igual maneira que a procura de aproximaçom NOM É JÁ UMHA NECESSIDADE QUE APENAS VEM OS NACIONALISTAS BASCOS, hoje a política de dispersom carece de qualquer apoio argumental quer nom campo dos princípios quer no da oportunidade".

      No dia seguinte, umha pessoa tam influente no basco-espanholismo como José António Zarzalejos (peça chave do Grupo de EL CORREO e irmao de Javier Zarzalejos que é a mao direita de Aznar encarregada da negociaçom com ETA) publicava na página 51 do nº de EL CORREO ESPAÑOL do Domingo 20 que:

      "se o apoio ao Executivo na conduçom do processo de paz no País Basco deve ser eficaz, requer em ocasions de críticas responsáveis. E o gesto do Ministério do Interior merece-as, sequer limitadamente. Porque a essa medida penitenciária falta-lhe voo político, certa audácia, qualquer capacidade prospectiva e sobra-lhe cautela quando a partida que se está a jogar requer de jogadas contundentes. Para além disso, tem qualquer cousa de contraditória porque os mesmos argumentos que servem para aproximar os reclusos das ilhas, valem para propugnar outros e para fazê-lo com mais motivo".

      Também no Domingo Germán Yanke dizia em EL MUNDO que a jogada de Mayor Oreja com os 21 "nem se ajusta realmente à solicitude de flexibilidade dinámica e consensuada votada polo Congresso, NEM TAMPOUCO AOS PRINCÍPIOS GERAIS DO SISTEMA PENITENCIÁRIO, QUE SERIA O MAIS IMPORTANTE".

      Até em EL PAÍS, no artigo de javier Garayalde intitulado "PAUS ÀS RODAS" publicado na sexta-feira 18, se dizia que "NOM APROXIMAR OS PRESOS E NOM OS APROXIMAR JÁ, É UMHA MESQUINDADE".

      Completarei as citaçons com umha de quem nom é nem pró-espanhol nem pró-PP. Robert Pastor, na página 20 do DEIA do mesmo Domingo, afirma que:

      "Mais umha vez, o fruto da espera de três meses continua sendo minúsculo, mesquinho, insuficiente e em certa medida frustrante. Mais próximo da burla que denunciou algum dos grupos políticos que de qualquer outra cousa. Porque o Governo de Madrid INSISTE EM NOM CUMPRIR A SUA PRÓPRIA LEGISLAÇOM PENITENCIÁRIA e semelha um sarcasmo falar em "aproximaçom" de uns reclusos que, deixa, no melhor dos casos, a umha distáncia de entre seiscentos e mil quilómetreos das suas residências outrora habituais".

      E sublinharei que até o miserável de Ardanza, o genuflexo, se viu comovido pola situaçom e realizou no Domingo 20 o acto insólito de achegar-se aos familiares dos presos bascos que levavam cartazes reivindicativos num dos muitos actos de inauguraçons e fastos que protagoniza o genuflexo. E até dejar-lhes um feliz Natal e dizer-lhes "que sabem que a maioria dos bascos partilhamos o desejo que eles manifestam: que os seus familiares podam cumprir as suas penas nos lugares mais próximos aos seus lugares de residência". Nom é pouco dada a miserável catadura e a miserável trajectória deste tantas vezes genuflexo perante el-rei de Espanha. Felizmente o genuflexo abandonará dentro de uns dias a presidência do governo da CAB.


      Acabar de vez com a tortura aos presos bascos pede ETA no seu comunicado
      Um dos quatro blocos em que se articula o comunicado de ETA do 20 de Dezembro de 1998 intitula-se precisamente:

      ACABAR DE VEZ COM A TORTURA AOS PRESOS BASCOS E DESMANTELAR MEDIANTE A LUITA A CHANTAGEM POLÍTICA

      E começa com este parágrafo:

      "Quem, luitando polos direitos de umha Euskal Herria que queriam ver livre, e alçando-se contra as leis espanholas e francesas, caírom nas suas maos e ficam seqüestrados, nom fam mais do que sofrerem um castigo após outro, e isso mesmo acontece aos seus familiares. Castigo económico, físico, moral. Durante anos. Humilhaçom e inclusive o castigo da morte, quer para uns como para outros. E assim continuam".

      ETA, nesse bolco do seu comunicado avisa de que:

      "pôr em relaçom o respeito aos direitos dos Presos Políticos Bascos com a iniciativa anunciada por ETA em setembro tem um só objectivo: utilizar a tortura que se aplica aos presos como chantagem para desviar e empecer o processo iniciado em Euskal Herria. Deve ficar claro que Euskadi Ta Askatasuna realizou umha oferta ampla e deu um passo importante para aliviar algumhas conseqüências do conflito. Além de rejeitar essa oferta que já dura longos anos, quer-se utilizar o sofrimento para ocultar hipocritamente a sua raiz política.

      ETA quer fazer um chamado especial a todas aquelas pessoas e colectivos implicados nas distintas e valiosas luitas em defesa dos direitos dos presos, bem como pola sua transferência a Euskal Herria e a sua liberdade, para que redobrem e levem até o final os seus esforços e protestos para acabar com a tortura branca e negra que supom a dispersom."

      ETA torna a falar dos Presos Políticos Bascos no último bloco do seu comunicado. Neste di assim:

      "O CAMINHO PARA A SOBERANIA NUM PROCESSO DEMOCRÁTICO
      O caminho que nos leve para umha soberania completa deve desenvolver-se mediante umha discussom ampla e democrática entre as organizaçons sociais, partidos e indivíduos. Despejado o caminh de chantagens e ameaças, o único limite será a vontade dos bascos. Sem limites prévios nem preconceitos, teremos a hipótese de expor em liberdade todas as opçons e projectos, e todos os instrumentos para pô-los em prática.

      Portanto, a base envidente e razoável é que todos os bascos participem no processo. Os Presos Políticos Bascos, como os demais cidadaos que participarám nele, também devem incorporar-se, desde a rua, em liberdade e sem chantagem de qualquer tipo. Entre todos os cidadaos bascos teremos que conseguir a participaçom dos bascos que caírom nas garras da Espanha e França e permanecem cativos, o que evidenciará a sinceridade do processo. Porque assim o demandam o senso comum e a justiça".

      ETA tem deixado as cousas muito claras. Continuará Espanha a pretender falsificar a realidade e a enganar os bascos e as bascas? Deixaremo-nos? Sairá-lhes de graça?

      Veremos.

      Para já, o PNB, tam prudente e tam dado a dar prazos a Madrid, já anunciou que sairá oficialmente à rua para protestar. Fará-o numha manifestaçom que se celebrará em Bilbau no próximo 9 de Janeiro. Que será a manifestaçom do Acordo de LIZARRA-GARAZI. Porque será convocada por PNB, HB, EA, IU, AB, Batzarre e Zutik, partidos assinantes da Declaraçom de LIZARRA. Dous dirigentes de cada um será quem levem a primeira faixa, seguidos por umha outra faixa levada polos representantes dos sindicatos e dos movimentos sociais. Será com certeza umha manifestaçom imensa. À que o Governo da Espanha conviria atender e entender.

      Há aliás muito bons sintomas no ambiente, nos factos que se amontoam e atropelam nestes dias em Euskal Herria. Vou repassar alguns deles.


      Quatro de cada cindo na CAB afirmam que som só os cidadaos bascos quem tenhem direito a decidir o seu futuro
      O Governo da Comunidade Autónoma Basca fijo públicos os resultados do seu inquérito de outono, realizada entre o 27 de Outubro e o 5 de Novembro. SETENTA E NOVE POR CENTO (79%) APOIAM O ÁMBITO BASCO DE DECISOM. Consideram que som os cidadaos bascos quem tenhem o direito a decidir o seu futuro. Há um 17% de respostas que afirmam que todos os espanhóis devem determinar o futuro da CAB (som os bascos alienados polo espanholismo, muitos deles imigrantes ou filhos de imigrantes). Significativamente, a percentagem de apoio ao ámbito basco de decisom É MAIORITÁRIO ENTRE OS QUE DIM VOTAR EM TODOS OS PARTIDOS. Logicamente mais alto entre os nacionalistas bascos: 98% de EH/HB, 91% EA, 88% PNB. Mas também maioria nos votantes do PSOE 61%, UA 58% e PP 55%.

      Um outro bom dado é que nom chegam a ser dous de cada cinco os que DIM que vam a Missa assiduamente. A alienaçom religiosa perde peso em Euskal Herria. (Os que vam som ainda menos dos que dim que vam)


      IMPORTANTISSIMO REAGRUPAMENTO À VOLTA DO EUSKARA.
      O euskara é fundamental para a construçom nacional de Euskal Herria. E estes dias estám cheinhos de provas da importáncia que umha crescente maioria basca está a conceder à luita polo euskara. Por exemplo a entranhável fileira de 16 crianças bascas que encabeçava a manifestaçom que mil pessoas realizárom em Iruñea no Sábado 19. Com estas palavras-de-ordem: "Polo direito a estudar em euskara" e "Contra os ataques ao euskara". E convocada por Sortzen para reclamar a escolarizaçom no modelo D de ensinança. Lembre-se: SORTZEN foi quem convocou a manifestaçom massacrada em Maio por ordem de Ansuátegui.

      Na Segunda-feira 21 produziu-se um facto de fondura e transcendência histórica. Os partidos de LIZARRA-GARAZI aderírom à campanha e ao acordo BAI EUSKARARI. Assinárom solemnemente um COMPROMISSO POLÍTICO pola normalizaçom do euskara. O secretário do KONSEILUA reuniu para isso em sua volta em Bilbau os líderes máximos do PNB (Arzalluz), de HB (Otegui), de EA (Garaikoetxea), de IU-EB (Madrazo) e figuras chave de outros partidos como José Iriarte BIKILA de Zutik, Milagros Rubio de Batzarre, Richard Irazusta de Abertzaleen Batasuna. José Andrés Burguete de Convergência de Democratas de Navarra, Andoni Rekagorri de Iniciativa Cidadá Basca e Jor Erro de IU de Navarra. APENAS OS PARTIDOS SUCURSALISTAS DA ESPANHA, PP, PSOE E UPN faltavam ao acordo e à assinatura.

      E na quarta-feira 23 em Pamplona, com a assistência do responsável do Comité Língua-pax da UNESCO, VINTE organismos sociais, culturais, económicos e desportivos de toda Euskal Herria (Nafarroa, Comunidade Autónoma Basca e Iparralde) assinárom também o acordo BAI EUSKARARI. Fôrom os sindicatos ELA, LAB, ENHE, CCOO de Euskádi e o de Iparralde ELB e a Confederaçom Français du Travai du Pays Basque, as Universidades de Deusto e Mondragom e a Escola de Engenheiros da Universidade de Navarra, a Caixa laboral, Mondragom Corporaçom, os clubes Athletic de Bilbau, Real Sociedad, Osasuna, Deportivo Alavês, Aviron bayonnais, a Federaçom de Centros Regionais de Euskádi, Hemen, Herrikoa, a Agrupaçom de sociedades Laborais de Euskádi e a Associaçom Navarra de Empresas laborais.

      E na terça-feira 22 os quase três mil sócios de Eusko Ikaskuntza, a Sociedade de Estudos Bascos, celebrárom o octogésimo aniversário da sua reuniom constituinte. Oito decénios a trabalhar pola cultura basca.


      Mais umha mao-cheia de factos esperançadores. Entre eles que já há acordo para um Governo Abertzale na Comunidade Autónoma Basca
      Esta semana "alongada" sobeja de factos significativos. Muitos deles esperançadores. O mais grosso é o facto de que já há acordo para que a semana que vem haja um GOVERNO ABERTZALE NA COMUNIDADE AUTÓNOMA BASCA. PNB e EA já culminárom o seu acordo e semelha que EH deu a conformidade ao seu apoio. Escuso dizer como de importante é esse passo que constitui umha evidente execuçom do Acordo de LIZARRA-GARAZI.

      Mas houvo muitos outros factos esperançadores nesta semana. Por exemplo a impressionante lucidez das Claques da Real Sociedad. Com a que denunciárom no seu comunicado repartido na conferência de imprensa da segunda-feira 14 que:

      "Neste assassinato (o de Aitor Zagaleta) há muitos responsáveis. O directo é o que lhe deu a punhalada. Mas há jornalistas de grande audiência estatal que realizárom claríssimas campanhas que tenhem criado um terrível sentimento ánti-basco, políticos cujas irresponsáveis declaraçons públicas tenhem posto no olho do furacám a gente deste país, cujo único delito é ser basca."

      Por exemplo a mobilizaçom de solidariedade que no Domingo 20 nas ruas de Donostia primeiro e depois no estádio de Anoeta aderiu à família de Aitor Zabaleta, esse jovem basco assassinado nas ruas da Espanha por ser basco.

      Por exemplo, a vitória de IKASLE ABERTZALEAK nas eleiçons celebradas na Universidade Pública de Navarra.

      Por exemplo, que ao se cumprirem dentro desta semana 20 anos de que ARGALA morreu a maos dos terroristas de Estado espanhóis, a folgada maioria absoluta sindical basca detida por ELA-LAB é a encarnaçom da conceiçom de ARGALA elaborara e defendera. Aquela que afirmava que "face à tarefa de evitarmos enfrentamentos e apagar suspicácias entre os trabalhadores bascos e os espanhóis e franceses e principiarmos um processo de aproximaçom e ajuda mútua, tenhem de ser estes últimos quem deixem de pensar em termos de império e compreendam de umha vez que os trabalhadores bascos nom somos espanhóis nem franceses, mas única e exclusivamente bascos, e que o que nos une a eles nom é a pertença a umha mesma naçom mas a umha mesma classe".

      Por exemplo, a impressionante mostra de dignidade, rijeza, inteireza, coerência e qualidade humana mostrados por Mikel Sarasketa, o preso político basco que mais tempo (vinte anos) levava encarcerado e que na Segunda-feira 21 abandonou a cadeia. Emociona ler o que dixo a EUSKADI INFORMACIÓN ao sair:

      "merece a pena luitar e, aliás, julgo-o imprescindível para viver. SE QUIGERMOS SER BASCOS E QUIGERMOS VIVER NUMHA SOCIEDADE JUSTA TEREMOS QUE LUITAR PARA FAZER FRENTE AO SISTEMA DOMINANTE. Por veze tem conseqüências duras e pagamo-las, mas ESSE É O PREÇO DA LIBERDADE. Aí é que está o sentido da vida, eu nom entendo a vida de outra maneira".

      Obrigado, Mikel, por ensinar-nos o que é ser um homem, um ser humano digno.


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